China planeja liberar o cultivo de culturas geneticamente modificadas nos próximos anos

Jorge Attie

Atualmente, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, no que se diz respeito aos produtos agrícolas. Nos últimos cinco anos, em média, a China foi responsável por 70% das exportações de soja brasileira, 25% das exportações de algodão e apenas 0,3% das exportações de milho.

Considerando que no Brasil a taxa de adoção de biotecnologia dessas três culturas está próxima de 92% em 2015/16 (soja – 95,2%; milho – 86,8% e algodão – 77,6%), pode-se concluir que há consumo de produtos transgênicos na China, apontando o Brasil e os Estados Unidos como principais fornecedores.

Apesar de consumir culturas biotecnológicas, os chineses não tem autorização para cultivar tais produtos, com exceção do algodão, cultivado em 3,7 milhões de hectares em 2015 – 96% de taxa de adoção (ISAAA, 2015). Contudo, recentemente o ministério da agricultura chinês divulgou uma nota reforçando que o país está disposto a liberar o cultivo de plantas geneticamente modificadas nos próximos cinco anos, através do programa “13rd Five Year Plan (2016 – 2020)”. Além de esperar uma mudança tecnológica, aumento de produtividade e melhoramento do manejo agrícola, o governo chinês acredita que a liberação consiga reduzir ou eliminar o cultivo de culturas transgênicas piratas ou ilegais. O governo chinês estimou, em dados recentes, que 93% de amostras coletadas em cinco diferentes províncias produtoras de milho testaram positivo para organismo geneticamente modificado. Por enquanto, a prioridade é liberar cultivos de algodão e milho transgênicos, mas a soja não está descartada.

Sendo assim, quais serão os impactos que tal mudança tecnológica e consequentemente jurídica poderá causar na agricultura brasileira? A China diminuirá sua relevância nas importações de tais culturas?

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Autor: Jorge Attie, engenheiro agrônomo, analista de agronegócios na Céleres®.