IC16.08 – Projeção de safra – Soja – agosto 2016


 

PROJEÇÃO DE SAFRA 2016/17

No primeiro Acompanhamento da Safra de Soja 2016/17, a Céleres® projeta um crescimento de 2,6% na área a ser cultivada no Brasil, devendo alcançar 33,8 milhões ha na temporada.
Apesar de menor que nos últimos anos, a expansão de área destinada à oleaginosa segue apoiada na manutenção de rentabilidades ainda elevadas. No entanto, a competição por área com a 1ª safra de milho, o cenário de crédito caro e os altos custos de abertura ou conversão de área serão os principais limitantes para ampliação da cultura.
Em termos regionais, o Centro-Oeste lidera o crescimento, com destaque para avanço do Mato Grosso e Goiás. Para a região Sul e Sudeste, o avanço de área deverá ser marginal, sendo limitado pelo aumento esperado da superfície destinada ao milho no verão.
Adicionalmente, a frustração na produtividade observada no Médio-Norte do Mato Grosso e no MATOPIBA, e a consequente queda da rentabilidade destes produtores, desestimulou avanços mais substanciais de área para 2016/17, ainda mais sob um contexto de restrição de crédito.
A situação mais crítica é no MATOPIBA. A região de maior crescimento de área nas últimas temporadas vem passando por uma forte instabilidade climática, que se intensificou em 2015/16, e levou os produtores a repensarem projetos de expansão de área para a próxima temporada.
Aliado a isso, a alta dependência por financiamento externo num período de crédito caro desincentiva ainda mais os produtores locais. Inclusive, parte considerável das vendas antecipadas da safra nova é resultante de renegociações de contratos que deveriam ter sido entregues neste ano, e operações de barter, buscando uma alternativa de financiamento para 2016/17.
Portanto, espera-se uma estagnação na superfície destinada, tendo em vista a necessidade de fechar as contas e pagar prejuízos anteriores.
Utilizando como metodologia a tendência dos rendimentos nos últimos 15 anos, a Céleres® projeta a produtividade brasileira em 3,04 t/ha em 2016/17, avanço de 2,6% em relação à safra passada. As produtividades serão ajustadas ao longo dos acompanhamentos a campo.
As perspectivas de clima ainda estão bastante incertas. As últimas notícias de clima apontaram para a possibilidade de La Niña moderada em 2016/17. No entanto, projeções mais recentes indicam retorno para um cenário de neutralidade, conforme Figura 7. Se confirmada, a neutralidade afasta a perspectiva de clima mais seco na região Sul.
Considerando tanto o aumento de área quanto a recuperação das produtividades na próxima temporada, a safra de soja em 2016/17 deverá alcançar 103 milhões t no país, incremento de 5,3% em relação à campanha anterior.
Diante disso, os estoques finais da próxima safra poderão ser maiores que os atuais. No quadro de Oferta e Demanda (Figura 4), a recuperação da produção em 2016/17 deverá gerar um excedente de 2,1 milhões t, ante 0,8 milhão t na temporada anterior, dando algum alívio ao quadro de suprimento interno.
Entretanto, esse cenário está condicionado ao movimento das exportações no próximo ano. A Céleres® estima exportações nacionais em 56 milhões t em 2017, 4% maior que neste ano. Contudo, tais volumes poderão ser maiores graças à manutenção da forte demanda internacional pela oleaginosa.
Deste modo, apesar da possiblidade de termos um balanço mais confortável, o mercado terá que acompanhá-lo com atenção. Isso porque qualquer frustração produtiva ou evolução das exportações acima do esperado poderão levar os estoques para níveis menores e sustentar os preços internos em 2017.

 

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RENTABILIDADE DA SAFRA DE SOJA 2016/17

Considerando a paridade futura de soja, produtividade e custos diretos estimados para 2016/17, o estudo de rentabilidade da Céleres® (Figura 3) estima uma margem bruta média no plantio da soja em R$ 1.108/ha, com intervalo entre R$ 745/ha e R$ 1.471/ha.
Em termos de saca, o custo direto médio no país ficou em torno de 35 sc/ha, com a margem bruta média em 17 sc/ha.
Se comparada com a safra passada, a rentabilidade média em 2016/17 será 8% menor, resultado tanto de preços levemente inferiores quanto da elevação dos custos de produção.
Diferente da última temporada, o cenário de preços para a safra 2016/17 não terá a sustentação do câmbio, haja vista que a recente desvalorização deverá se manter durante 2017. Portanto, os preços internos deverão acompanhar as cotações internacionais que, por sua vez, tenderão a ficar pressionadas diante de uma safra cheia nos Estados Unidos em 2016/17.
Quanto ao custo direto, os componentes importados, sobretudo fertilizantes, estão mais baratos, aliviados pela queda do dólar e dos respectivos preços no mercado internacional. Isso levará a uma retomada dos gastos com fertilizantes, que foram menores na temporada passada. No entanto, outros químicos e sementes estarão mais caros na temporada 2016/17.
No cenário de margens decrescentes, preços internacionais sob um viés baixista e custos elevados para abertura de novas áreas, o momento não é propício para grandes expansões, sobretudo em áreas de baixa produtividade.
A decisão de aumento de área produtiva deve ser pensada com mais cuidado que nos últimos anos, já que a margem para eventuais problemas, seja de planejamento, ou de clima, é reduzida.

Além das informações e dados contidos nesse informativo, a Céleres dispõe de um robusto banco de dados, contendo as principais informações do agronegócio detalhadas por estados e regiões, tais como preços diários de commodities agrícolas desde 1998, balanço de oferta e demanda mensal dos principais mercados agrícolas no Brasil, desde a safra 1996/97, acompanhamento semanal da evolução de safra de milho e soja desde a safra 2000/01 e muito mais.
Caso precise de informações mais detalhadas, entre em contato conosco que teremos o maior prazer em lhe atender.

 

 

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